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Amor
O Amor depende da simbólica geral da união dos opostos. É a pulsão fundamental do ser, que impele toda existência a se realizar na ação. É ele quem atualiza as virtualidades do ser. Mas essa passagem ao ato não se produz senão pelo contato com o outro, por uma série de trocas materiais, sensíveis, espirituais. O Amor tende a vencer esses antagonismos, a assimilar forças diferentes integrando-se em uma mesma unidade. Nesse sentido, é simbolizado pela cruz, síntese das correntes horizontais e verticais; pelo binômio chinês do Yang-Yin. De um ponto de vista cósmico, após a explosão do ser em múltiplos seres, é a força que dirige o retorno á unidade; é a reintegração do universo, marcada pela passagem da unidade inconsciente do caos primitivo á unidade consciente da ordem definitiva. A libido ilumina-se na consciência, onde pode tornar-se uma força espiritual de progresso moral e místico. O eu individual segue evolução análoga à do universo: o amor é a busca de um centro unificador que permitirá a realização da síntese dinâmica de suas virtualidades. Dois entes que se entregam, reencontram-se um no outro, mas elevados a um grau superior do ser, se a doação tiver sido total, e não apenas limitada a certo nível de sua pessoa, que é, na maioria das vezes, carnal. O Amor é fonte ontológica de progresso, na medida em que é efetivamente união, e não só aproximação. |
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