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Iluminação
Di Paula dos 16 aos 18 anos, realizou diversas viagens astrais, sempre ritualisticamente e em integração com a natureza. Em uma delas, atingiu um estado de Iluminação e plenitude, recebendo a instrução de voltar aos seus e mostrar o caminho. Neste mesmo ano, esta "viagem" foi descrita em um texto "a viagem de um indiozinho" e no ano seguinte transformada em peça para teatro, registrado na Polícia Federal e após alguns anos na Biblioteca Nacional. A peça foi Premiada, e apresentada centenas de vezes nos anos seguintes, tendo sido autorizada sua montagem no Japão, através do Diretor Takeshi Hoshino que muito se emocionou com a espiritualidade do texto. Conforme a instrução, nesta época foi adquirida e preservada a área de 800.000m² onde hoje está localizado o Santo Daime da Luz.
A História
Piuim é o índio que faz da sua liberdade (o abandono à tribo) uma opção de procura, através da sua arte (a flauta), numa caminhada de abertura, dentro de nós mesmos, que deve culminar na descoberta do tesouro maior: voltar à tribo, aos seus e repartir a descoberta de que todos poderemos ser bem mais, quando o espelho revelar que somos todos iguais, desde que, o homem transforme o objeto numa flor e, a flor, transforme o homem num vôo de criação. Isso porque, ninguém conseguirá fugir para lugar nenhum, nem obter liberdade alguma enquanto for objeto dele mesmo, do seu egoísmo, do seu embotamento.
Ninguém "está na sua" isoladamente. É muita ingenuidade imaginar que não teremos de voltar a fim de repartir o nosso "tesouro". O resto são artimanhas do "bruxo". E, como é bom saber que sempre haverá uma "ave" em nosso caminho. As quedas e os obstáculos, transformam-se num sopro de "flauta", o que nos compensa em tudo mais. Oraci Gemba
PIUIM -A VIAGEM DE UM INDIOZINHO
Texto de Di Paula, Icléa Guimarães, Oraci Gemba, baseado na história "a viagem de um indiozinho" de Di Paula. 1º ATO Cenário: floresta, tribo de cacique grande chefe guerreiro valente. _ Cacique quer que Piuim vá dançar e cantar para guerra! Piuim tem que dar exemplo de filho de chefe guerreiro. _ Mas por que esta guerra? _ Foi feito trato entre nossa gente e os Pés Pretos que do rio para cá a caça seria nossa. Agora um Pé Preto matou uma gorda anta. E índio Vigilante disse não ser a primeira! Isso corta tratado! _ Pai Cacique Chefe sabe que Pés Pretos passam fome, porque suas terras estão secas e os animais todos fugiram para cá. Se a gente ajudar agora os Pés Pretos, eles ajudam depois, quando deles a gente precisar. _ Piuim menino muito bobo. Venha comigo. Mostre que é filho do Chefe Guerreiro! Venha, Piuim! _ Pai, por que as aves do céu não têm trato e todas têm comida para viver? Por que os peixes do rio não brigam pela água? Por que as árvores nascem no chão sem tomar o lugar da outra? _ Índio Chefe Cacique Valente não quer filho que diz coisas de covarde! Isso é conversa de índio preguiçoso que tem medo de lutar! Você parece não ser filho de índio Chefe Cacique Valente! _ Pai Cacique Grande Chefe mistura valentia com injustiça. Piuim pensa em valentia de outra maneira. _ Valentia na minha tribo é obedecer a índio Chefe Cacique Valente. Índio Valente vai caminhar dez passos e quer filho covarde um passo atrás de mim. Se filho covarde não for, deixará de ser filho de Grande Chefe Índio Valente! Piuim tira a tiara da cabeça e joga. Apanha a flauta e segue em direção contrária. 2º ATO Cenário: floresta, Piuim tocando flauta. A música atrai uma Ave do paraíso. _ Do meu mundo ouvi um som. Não me pareceu um som comum. Os acordes da sua música parecem dizer mensagens ainda não compreendidas, mas que me tocaram tão profundamente, quanto o amor com que você transmite ao seu instrumento. Por que tanta tristeza nesse seu rosto com uma música tão bela? _ Quem é você, linda ave? De onde vem? _ Venho de um lugar onde o seu som pode ser ouvido. Sou a ave do paraiso e poderia levar você para conhecer o segredo deste meu mundo! _ Mas por que não pode me levar? Eu quero conhecer coisas novas! Eu quero sentir a beleza! Eu preciso viver a música do meu coração! _ Mas nem todos podem entender isso. Para chegar ao meu mundo, muitos perigos você terá que vencer. Isto é um segredo: a escalada é difícil. No alto da montanha mais alta há uma árvore sem igual. Subindo ao topo da árvore você chegará as nuvens mais brancas do planeta. Aí será o meu mundo. Lá, você terá uma surpresa. É só o que eu posso dizer. Adeus Piuim. Lembre-se: a primeira etapa você já conquistou. Do seu instrumento você me despertou. Adeus! Bruxo observa sorrateiramente toda a cena. Piuim segue para a montanha. Encontra o Bruxo e se assusta. _ Índio Piuim parece caminhar a procura de alguma coisa? _ Índio Piuim assustado! _ Mas por que motivo? Não me conhece? Posso ser o guardião da floresta. Posso ser guia de índio perdido. Indiozinho Piuim por acaso não estaria perdido? _ Não. Índio Piuim já decidiu seu caminho. Uma ave que veio da luz ensinou o caminho que sempre procurei. _ Pobrezinho! Ave que veio da luz! Piuim foi iludido. Aquela ave não passa de imaginação sua. É pura ilusão!. _ A ave que veio da luz mostrou-me um caminho. E você, o que me oferece? _ Eu não sou de enganar ninguém. Seu lugar é junto do seu pai, lutando junto com seus irmãos. _ Índio Piuim não quer ser guerreiro. Quer correr pela floresta, ser livre e tocar sua flauta como os pássaros que voam e cantam, Piuim também quer fazer. _ Eu só conheço um caminho para Piuim: lutar para vencer, para ser maior, melhor que os outros e só parar de lutar quando for vitorioso. _ Bruxo muito mau. Piuim não pensa assim. Deixe que Piuim siga seu caminho. _ Há, há... Então despreza minha ajuda. O caminho é esse, só não vá se arrepender, porque ele não tem retorno. Não tive notícias de ninguém que de lá voltou. Mesmo assim Piuim decidiu ir. Piuim sai de cena e aparece tocando sua flauta. _ Que maravilha: flores, céu azul! Acho que já estou perto da realizar meu sonho! Vou descansar um pouco! Piuim adormece. Bruxo aparece no sonho e fala: _ Volte Piuim! Ainda há tempo! Você já provou dos perigos e os próximos não conseguirá vencer. Volte! Ave: No alto da montanha mais alta há umas árvores sem igual. Subindo ao topo, você chegará às nuvens mais brancas. Aparecem duendes em ritmo acelerado e junto. Um enfia o dedo no ouvido. Olha e os outros riem. Piuim acorda e nada vê. Adormece. Um puxa o cabelo. Piuim acorda e nada vê. Adormece. Duendes cochicham e tramam. Atacam de uma só vez e o amarram. Um segura uma ponta do cabelo e outro se embala. Fazem cócegas. Pegam na flauta. Piuim faz sinal que coloquem a flauta na sua boca. começa a tocar uma música maravilhosa. Os duendes se entreolham e aos poucos vão desamarrando Piuim. Cantam e fazem roda em volta dele. Saem alegres, em fila, correndo. Piuim continua tocando e andando. Encontra um labirinto e o segue. Piuim entra num labirinto e as placas vão trocando, impedindo sua passagem. Depois de várias tentativas, toca sua flauta e a saída aparece. Sai do labirinto e avista a montanha. 3º ATO Cenário: Montanha Ele escala a montanha, caminha até encontrar uma grande porta. Entra lentamente. Passa um morcego. Aparecem dois olhos fosforescentes, que vão se iluminando até aparecer que é uma aranha gigantesca. Começa a dar nó nas pernas da aranha, dá-lhe um vigoroso nó na língua. Toca flauta na cara do monstro. Piuim sai da caverna e depara com um vale florido. No topo da montanha está a árvore. Ele se maravilha e se aproxima devagar. Toca na árvore. Quando ele toca a mão, aparece a cabeça de uma cobra. _ Onde você pensa que vai? Só sobe por esta árvore quem me tirar daqui! _ E para tirar você daí, o que é preciso? _ É preciso lutar comigo e me vencer na luta. Antes eu quero te avisar: o meu veneno pode inutilizar todo o esforço que você fez para chegar aqui. Se você me vencer essa árvore será sua! _ Piuim pede que a cobra saia do caminho! _ Que Piuim se atreva a arrancar cobra daqui! (Dá uma rabada) _ Então Piuim vai caminhar em direção ao tronco da árvore, porque minha única arma é essa flauta. Cobra prepara o bote e se joga em cima dele. Os dois lutam. Piuim vence. Cobra foge. Piuim sobe na árvore. (música angelical) Atinge o topo e desaparece nas nuvens. No céu, aparecem fadinhas, flores. Ave: _ Piuim, no topo da montanha mais alta, na árvore mais alta, há um segredo. Índio Piuim chegou ao topo da montanha mais alta, da árvore mais alta. Este é o meu segredo. (entrega uma caixa com espelhos). Volte aos seus agora, e cada um que abrir a caixa verá no fundo do espelho a viagem de si mesmo. Agora Índio Piuim, suba nas minhas asas e eu o levarei de retorno à sua tribo. Só assim a sua caminhada terá sentido, quando você contar que o seu sonho era realidade. Piuim sobe e a ave voa em evoluções levando-o de volta aos seus. Di Paula: Empresário e industrial do ramo alimentício, diretor de cinema e teatro e Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos Naturais e Integrais, há 14 anos divulgando a necessidade de mudança de hábitos para uma melhor qualidade de vida. Site da ABIANI: www.medicinaconsciente.com.br |